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FERNANDO ALAGOA

Blogue Oficial

FERNANDO ALAGOA

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02
Ago16

A outra ditadura

Dêem-me um ditador desprezível, prefiro-o à democracia dissimulada.
O ditador tem as suas virtudes, é sincero, governa os homens com ferrete curto, mas não lhes esconde o seu desígnio. Não oculta a sua ganância, constrói palácios sumptuosos para si próprio, mas fá-lo à luz do dia, sem subterfúgios. É dengoso, arrogante, prepotente e louco, mas não esconde a sua bipolaridade, mostra-se tal como é. 
É um líder severo, todos o sabem, só o segue quem assim o entender, ou isso ou a morte.
Deste, espero muito pouco, mas pelo menos sei com o que conto. 
Já a outra ditadura, é o oposto desta colecção de virtuosidades.
É hábil na sedução, mas não joga o jogo da sinceridade. Esconde os seus intentos com sorrisos de Medusa. 
O líder é quase sempre medíocre, mas em democracia, todos têm a mesma oportunidade. Um cientista ilustre vale menos que um famigerado inútil, aí estão as magníficas demonstrações televisivas para o esclarecer. O líder não é arrogante nem louco. Mostra-se afável e carinhoso, o povo delira e a doçura move montanhas.  À democracia do ardil tudo é possível sob a capa da participação ilusória. Prende-se o justo, solta-se o ladrão, o ensinamento foi-nos dado por Pilatos. Pratica-se a política do determinismo astral, que tudo justifica. Zé do Telhado agoniza no seu ataúde tumular perante a inversão do seu propósito. A Lei das Sesmarias nunca nos abandonou, continua a praticar-se sem se saber para que serve. Tribute-se tudo e mais o que houver. Quando já não houver nada, tribute-se o ar, o sol, o verde das paisagens, o azul do céu, o correr das águas e o chilrear dos pássaros.
A injustiça provoca a indignação que é quase sempre a precursora das revoluções. O povo é sereno, perdoai-lhes Senhor a subserviência.
Jorge Luís Borges, o escritor Argentino, disse um dia: «As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade, mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotice!» 
O que Jorge Luís Borges talvez não tenha previsto, é que as democracias também! Podemos e devemos questionar se serão verdadeiras democracias, mas existem e conseguem os mesmos resultados!

© Fernando Alagoa
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